Indigestão
A falta de moralidade entope.
As veias de qualquer, traço, linha ou rima.
Ibope garantido , a quem mais o verso abomina.
Dá espaço a febre alta, ilógica.
Dessa fatia ocre
sem termos.
Nenhum pedaço.
Volta
Eu sempre me perdi.
Eu sempre me encontrei .
Eu sempre parti.
E sempre retornei.
Eu quero um novo tango
Uma nova valsa
Curta ou comprida.
Agarrar a vida
Na saia.
Viver sem saía.
Seguir passos descalços
Até o fim da linha.
Até que ela se apague
E trace outra linha.
E assim continuarei seguindo em frente
descalça.
E assim a noite se espalha
escorre dia adentro
perseguida pelo ponteiro dourado das horas.
É noite e meu corpo ainda,
carrega dia,
respira dia.
inflama destroços do dia.
congela qualquer outro desejo de noite,
a noite varrida fez nascer o dia.
Poema em branco
A palavra era nova
E de mão estendida
Veio- me surrada.
Silênciou-se
E dormiu.

